sexta-feira, novembro 4

G20 Personagens a Procura de um Autor


Adjútor Alvim*

Faltam líderes ou faltam idéias?
A Cúpula do G20 encerrou-se nesta sexta-feira, 04 de novembro, com um sentimento de decepção sendo apregoado pela imprensa brasileira. A cúpula teria sido realizada em um clima de tensão provocada pela situação grega e fracassado na tentativa de viabilizar o Fundo Europeu de Estabilização.

Sob a ótica dos BRICS, porém, não há como considerar frustrante o encontro. O provável desenrolar dos eventos poderá deixar mais claras as oportunidades do Brasil na nova ordem mundial.


Esta foi a primeira reunião do G20 onde os emergentes puderam se considerar participantes em pé de igualdade com os membros do antigo G7. Estes, fragilizados economicamente, foram obrigados a dividir os holofotes com novos personagens da geopolítica mundial. O próprio G20 ganhou ares de fórum oficial de formulação de políticas globais.
Os pontos discutidos foram ao encontro ao interesse brasileiro.

Socorro financeiro à Europa: foi decidido o provimento de recursos para ajudar os países europeus com problemas fiscais, mas contrariamente ao desejado por eles, os emergentes concordaram em fazer os aportes somente através do Fundo Monetário Internacional, tornando natimorto o Fundo Europeu de Estabilização. Os valores ainda serão definidos e, certamente, implicarão em aumento da participação dos emergentes na entidade, levando à institucionalização do aumento de poder deste grupo.

Saídas para a crise: o comunicado final do encontro fez menção à intenção de países como EUA, Alemanha e China de tomarem medidas para estimularem a demanda interna.  Esta foi a fórmula brasileira para sair da crise de 2008 e que rendeu elogios da comunidade econômica internacional.

Democracia: a presidenta Dilma, ao chamar a Europa de “patrimônio democrático”, sutilmente ressalta a ausência de democracia na China, reafirma a busca do Brasil por um ambiente de liberdade política e indica ser este um valor a ser mantido mesmo concretizando-se as previsões de hegemonia econômica chinesa.

Piso Básico de Renda: a Organização Internacional do Trabalho propôs um patamar básico de renda como rede de proteção social. Apesar de não ser uma proposta brasileira, é inegável que nossa experiência será valorizada, abrindo espaço para participação dos profissionais brasileiros na formulação destas políticas.
 
Estes fatores permitem pensar em um Brasil cada vez mais solicitado a participar nas decisões internacionais.

Mas existe a oportunidade de ir além. A China planeja a longo prazo, mas seu regime fechado dificilmente conseguirá produzir uma doutrina sócio econômica a ser seguida pelos países democráticos.

Isso abre espaço para que um país democrático em ascensão econômica comece a gerar produção acadêmica para a composição de uma nova doutrina. Mercantilismo, Liberalismo, Keynesianismo, Neoliberalismo foram superados e o capitalismo chinês não deve se disseminar.

Proclamam haver um vazio de lideranças. Na realidade há um vazio de idéias, mortas de inanição pelo pensamento único do financismo.

Precisa-se de uma doutrina que conjugue crescimento com distribuição de renda, proteção social, democracia, convivência pacífica interna e externa, preservação ambiental.

Todos esses tópicos crescerão na agenda mundial e o Brasil tem experiências a apresentar.

Em um desafio clássico de seleçoes profissionais, o entrevistador propunha ao candidato imaginar a vida como um espetáculo teatral e responder se se via vendo, atuando ou escrevendo uma peça de teatro.

Chegou a hora do Brasil escrever sua própria peça?

Com a palavra nossos economistas, filósofos, sociólogos, cientistas políticos e sociais.

*Adjútor Alvim é o "Editor" do blog Casa de Tolerância

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